Comunicação Oral Curta

02/11/2023 - 08:30 - 10:00
COC33.1 - Política de ST / VISAT e Precarização do Trabalho I

46752 - ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E A SAÚDE DE SEUS TRABALHADORES
HERIKA DE ARRUDA MAURICIO - UPE, MARIA BEATRIZ ARAÚJO SILVA - UPE, AFONSO HENRIQUE FERNANDES DE MELO - PCR, ANA CLAUDIA ALVES E LUNA - PCR, ANA LETHÍCIA LEÃO - UPE, AGATHA CHRISTIE LIMA DA PAZ - UPE, BETÂNIA CARVALHO DE BRITO BARROSO - UPE, FERNANDA CAROLINE SANTOS SENA - UPE, JAILTON GOMES AMANCIO DA SILVA - UPE, JÚLIA DE SOUZA SIMÕES - UPE, POLYANA ALICIA DA SILA - UPE, SANMYRA LOPES ARAÚJO - UPE, WELLIDA LAIS DA SILVA ROSENDO - UPE


Contextualização
A saúde do trabalhador configura-se como um campo de práticas e de conhecimentos estratégicos interdisciplinares, técnicos, sociais, políticos, humanos, interprofissionais e interinstitucionais, voltados à análise e intervenção nas relações de trabalho responsáveis por doenças e agravos.
Na Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil, o trabalhador sofreu e ainda sofre consequências negativas em sua vida oriundas do mundo do trabalho. Seja em decorrência da precarização de seus direitos trabalhistas, seja pelas condições salariais insuficientes, seja pelos ambientes insalubres e pela exposição a riscos laborais, seja por aspectos de saúde e bem-estar. O surgimento da COVID-19 impactou ainda mais esse cenário. A alta transmissibilidade do vírus, a insuficiente disponibilidade de testes, a demora na oferta de vacinas, junto com as altas taxas de morbimortalidade, estabeleceram um ambiente de trabalho permeado por estresse e sofrimento.
Ainda, é preciso trazer para a contextualização do mundo do trabalho na APS as estratégias de avaliação em saúde que vem sendo adotadas no SUS, especialmente tratando-se do período de 2019 para os dias atuais, com a implementação do Previne Brasil, exemplificando concretamente uma ideologia produtivista aplicada à produção nos serviços de saúde.
Sendo arrematado por todas essas demandas e dificuldades, o trabalhador da saúde acometido pelo adoecimento é enxergado de maneira utilitarista e encontra dificuldades para atender às suas próprias necessidades. Seus quadros são abordados isoladamente, sem conexão com os contextos cultural, social, ambiental ou psicológico no qual encontra-se inserido.
O uso de plantas medicinais e da fitoterapia é visto como uma alternativa histórica de baixo custo e fácil acesso à grande parcela da população, que desde 2006 dispõe de uma Política voltada a garantir o acesso seguro e o uso racional. Nesse sentido, compreende-se que essa utilização pode ter efeitos positivos na qualidade de vida e no relacionamento com o trabalho de seus praticantes.



Descrição
Trata-se do relato de experiência de um projeto do PET-Saúde pautado no desenvolvimento de Práticas de Cuidado Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) voltadas aos trabalhadores de uma Unidade de Saúde da Família (USF) do Distrito Sanitário II (DSII) da cidade do Recife, Pernambuco.
Composta por três Equipes Multiprofissionais de Saúde da Família e três Equipes de Saúde Bucal, todos os 24 trabalhadores atuantes na USF foram convidados a participar de uma Oficina de PICS sistematizada em quatro encontros, com periodicidade de 1 encontro semanal, realizados no espaço físico da Unidade em dias e horários pactuados. As atividades foram estruturadas em quatro eixos temáticos: dores articulares, saúde mental, doenças respiratórias e alimentação saudável. A cada eixo, a utilização das plantas medicinais e da fitoterapia era apresentada por diferentes abordagens dialogadas e pautadas no saber-fazer, incluindo chás, aromaterapia, escalda-pés, óleos vegetais, xaropes, sal de ervas, dentre outros.


Período de Realização
As atividades integrantes desse relato de experiência foram desenvolvidas no período de maio a junho de 2023.

Objetivos
Desenvolver Práticas Integrativas e Complementares em Saúde entre integrantes de uma equipe multiprofissional vinculados a uma USF localizada no DS II do Recife, Pernambuco.

Resultados
A Oficina de PICS obteve ampla adesão dos participantes, que se mantiveram atuantes e motivados em todos os encontros. Os participantes consideraram em sua avaliação que a Oficina apresentou os conteúdos de maneira agradável, dinâmica e divertida, com a participação de estudantes universitários competentes e estimulando o diálogo entre a equipe. Ainda, a quase totalidade das avaliações apontou o desejo de mais espaços como esse.

Aprendizados
A realização da Oficina foi precedida de bastante pesquisa, estudo, diálogo com diferentes profissionais e gestores, além de formação de todo o grupo envolvido, composto por docentes, profissionais de saúde e estudantes universitários. Foram investigadas as principais questões que tem afetado a saúde dos trabalhadores da APS, além de haver sido conduzida uma formação específica em Plantas Medicinais e Fitoterapia ofertada pela Unidade de Cuidados Integrais (UCIS) Professor Guilherme Abath, ligada à Secretaria de Saúde (Sesau) do Recife. Toda essa etapa preparatória apresentou-se essencial para a estruturação do grupo e do trabalho, possibilitando que o conhecimento adquirido passe também a compor a carteira de serviços dos atuais estudantes universitários e futuros profissionais de saúde.

Análise Crítica
Em uma das avaliações recebidas, foi apontado o desejo de que a Oficina oportunizasse o preparo conjunto dos insumos utilizados nas práticas. Esse recurso não foi possível ao longo da Oficina em função da necessidade de dispor de uma estrutura física adequada para isso, que não consegue ser apoiada pela sala de reuniões disponível na USF envolvida.